TCE-SP aponta irregularidades graves em aditivos entre Cotia e Instituto Bom Jesus, que somam R$ 173 milhões, com falhas de metas e custos.

TCE-SP apontou irregularidades graves nos aditivos de 2024 e 2025 firmados entre a Prefeitura de Cotia e o Instituto Bom Jesus, que somam R$ 173 milhões e prorrogam o contrato de gestão nº 45/2023. O tribunal identificou falhas reincidentes, ausência de metas, falta de custos detalhados e erros contábeis.

📌 Aditivos de R$ 173 milhões repetem falhas já condenadas pelo TCE-SP

Os aditivos analisados:

  • Aditivo 01/2024 – R$ 74.423.560,00
  • Aditivo 02/2025 – R$ 99.231.413,28

Ambos foram considerados comprometidos pelo princípio da acessoriedade, já que o contrato base havia sido declarado irregular e os aditivos apenas prolongaram seus efeitos.

⚠️ Falta de metas, ausência de custos e planejamento deficiente

O TCE-SP identificou que os aditivos:

  • Não apresentam custos unitários, impossibilitando medir vantajosidade.
  • Mantêm várias unidades sem metas, inclusive o Pronto-Socorro Infantil, inaugurado em 2024.
  • Repetem erros de classificação contábil no AUDESP, mesmo após alertas anteriores.
  • Ausência de estudos formais anexados que demonstrem necessidade, volume de demanda e impacto financeiro.

Para o relator, conselheiro Maxwell Borges de Moura Vieira, a ausência de elementos essenciais compromete a legalidade e a transparência:

“Os aditamentos replicam falhas condenadas no julgamento da matéria principal e permanecem sem comprovação de vantajosidade”.

🔍 Impacto direto no interesse público

A decisão revela um ponto central: a renovação dos contratos ocorreu sem comprovação técnica suficiente, apesar de envolver praticamente toda a rede municipal de saúde, incluindo:

  • UPAs,
  • Pronto Atendimento,
  • SAMU,
  • CIS,
  • Policlínicas,
  • Setor de imagem,
  • CAPS,
  • SVO.

Sem metas, não é possível mensurar desempenho, comparar eficiência ou justificar repasses milionários o que representa risco à qualidade do serviço prestado à população.

🧾 Defesas apresentadas: alegações não convenceram o Tribunal

Instituto Bom Jesus afirmou que:

  • Possuía estudos preliminares sigilosos de custos.
  • Atuação complementar justificaria a ausência de metas em algumas unidades.
  • A renovação seria necessária para evitar interrupção dos serviços.

Já a Prefeitura de Cotia argumentou que:

  • A nova gestão (2025) não teve prazo para lançar novo chamamento público.
  • A continuidade do atendimento exigia a prorrogação emergencial.

O TCE-SP rejeitou as justificativas por ausência de comprovação documental, registrando falhas de planejamento e execução contratual.

⚖️ Responsabilização: quem são os gestores citados

O Tribunal listou como responsáveis:

  • Rogério Cardoso Franco – prefeito à época do aditivo 2024
  • Welington Aparecido Alfredo – prefeito responsável pelo aditivo 2025
  • Ex-secretários municipais de Saúde
  • Rodrigo Aleixo Machado – diretor-executivo do Instituto Bom Jesus

A decisão aciona dispositivos da Lei Complementar 709/93, que podem resultar em penalidades administrativas, financeiras e restrições futuras em contratações públicas.

🧠 Análise: por que o caso acende alerta sobre OSs na saúde?

A combinação de:

  • falta de metas,
  • ausência de custos,
  • estudos não anexados,
  • e erros contábeis reincidentes

aponta para fragilidade de governança, exatamente no modelo de gestão que mais exige transparência: parcerias com Organizações Sociais.

O caso reforça um padrão observado pelo TCE-SP em outros municípios: renovações sucessivas sem fundamentação técnica robusta.

O risco final é claro: serviço caro e ineficiente e a população fica sem parâmetros para cobrar qualidade.

Externos (oficiais):

✍️ Vinícius Mororó – Jornalista Atípico
Jornal Impacto Cotia | Jornalismo investigativo e de interesse público
📧 contato@jornalimpactocotia.com.br | 📞 (11) 91281-4982
🌐 www.jornalimpactocotia.com.br • Instagram: @impactocotia

Compartilhar.
Deixe Uma Resposta

Português do Brasil
Exit mobile version