Nos últimos dias, um vírus transmitido por morcegos e outros animais, já conhecido na Ásia, ganhou destaque no noticiário mundial. É o Nipah, que teve cinco casos confirmados e colocou mais de 100 pessoas em quarentena na província de Bengala Ocidental, na Índia.

Quando se fala de vírus, surtos e quarentena, é impossível não se lembrar da história recente da covid-19. A taxa de letalidade do Nipah em humanos fica entre 40% e 75% e pode variar de acordo com o surto, dependendo da capacidade local de vigilância epidemiológica e de manejo clínico de pacientes. Especialistas afirmam, porém, que é improvável que o Nipah chegue ao mesmo nível de pandemia da covid-19.

Para o consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Benedito Fonseca, a incidência do vírus na Índia é explicada por fatores ambientais e culturais. As formas de transmissão também limitam o alcance da doença, na comparação com a covid-19. Assim, segundo o especialista, é pequena a chance de o vírus se espalhar pelo planeta.




14/09/2021 – Pesquisadores coletam amostras de morcegos para estudo sobre o vírus Nipah em Bangladesh. – REUTERS/Mohammad Ponir Hossain – Proibido reprodução

Histórico e evolução

O Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia pelo contato direto com porcos. Voltou a aparecer em 2001, em Bangladesh, país que tem registros anuais desde então. O leste da Índia, onde foi registrado o surto atual, também tem casos periódicos.

A transmissão do vírus também já foi registrada entre animais como cavalos, cabras, ovelhas, gatos e cães. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Nipah é altamente contagioso em suínos. Nenhum dos hospedeiros, entretanto, apresenta altas taxas de mortalidade ou até mesmo sintomas da doença.

Em humanos, os sintomas iniciais podem se manifestar de 4 a 14 dias após a contaminação, e incluem: febre, vômitos e dor de cabeça, de garganta e muscular. Ainda existem relatos de pneumonia atípica e problemas respiratórios graves.

Essas queixas podem evoluir para tonturas, sonolência, alteração do nível de consciência, e, em casos graves, convulsões e encefalite aguda, que podem levar ao coma.

Os principais testes utilizados para identificar o Nipah são o RT-PCR em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por meio do ensaio imunoenzimático, além da análise do histórico clínico do paciente.




20/07/2024 – Paciente com infecção pelo vírus Nipah é transferido para UTI da ala de isolamento no Hospital Universitário de Kozhikode, em Kerala, no sul da Índia. – REUTERS/CK Thanseer – Proibido reprodução

Prevenção e tratamento

Atualmente, não existem medicamentos ou vacinas específicos para a infecção pelo vírus. A OMS recomenda que os pacientes passem por tratamento intensivo de suporte para complicações respiratórias e neurológicas graves.

Sem vacina conhecida, a única maneira de prevenir a infecção pelo Nipah em pessoas é aumentar a conscientização para reduzir a exposição ao vírus. Isso inclui afastar morcegos de produtos alimentícios, higienizar bem as frutas, utilizar luvas e outras roupas de proteção para manusear animais durante procedimentos de abate e eliminação; além de proteger as rações dos animais.

Para evitar o contágio entre humanos, as recomendações são parecidas com as da covid-19: evitar o contato físico próximo e desprotegido com pessoas infectadas pelo vírus e lavar às mãos com frequência, principalmente após cuidar ou visitar pessoas doentes.

* Com informações da Agência Brasil.

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